A pergunta que mais recebo desde fevereiro é a mesma: "Já passou a das 40 horas ou ainda não?". Até este maio de 2026, a reforma continua no Congresso da União e não foi publicada no Diário Oficial da Federação. Aqui está o status real, sem rumores de WhatsApp, e o que qualquer empregador de PME deveria estar ajustando já em sua folha de pagamento.
O que diz exatamente a reforma de 40 horas e por que demora tanto
A iniciativa busca modificar o artigo 123 constitucional, apartado A, fração IV, além dos artigos 59, 60, 61 e 69 da Lei Federal do Trabalho (LFT). A proposta é reduzir a jornada máxima de 48 para 40 horas semanais, mantendo o descanso do sétimo dia e respeitando o salário integral. Ou seja, o trabalhador recebe o mesmo, mas você entrega 8 horas a menos do tempo dele por semana.
O importante aqui, e onde muito empregador se equivoca, é entender que não é um decreto expresso. É uma reforma constitucional. Precisa de:
- Maioria qualificada (dois terços) na Câmara dos Deputados.
- Maioria qualificada no Senado da República.
- Aprovação de pelo menos 17 congressos locais (maioria das legislaturas estaduais).
- Publicação no Diário Oficial da Federação pelo Executivo.
Enquanto algum desses passos faltar, não há lei vigente. E em maio de 2026, ainda faltam vários.
Estado real no Congresso da União (maio 2026)
Resumo como conto aos contadores externos que me perguntam em grupos da CANACO:
- Em 2023 foram apresentadas as primeiras iniciativas formais na Câmara dos Deputados, impulsionadas principalmente pela bancada do Morena, PT e PVEM, com apoio de vários deputados da oposição.
- Em 2024 a Comissão de Pontos Constitucionais realizou fóruns nacionais (parlamento aberto) com a STPS, COPARMEX, CONCAMIN, CTM e a academia. Houve parecer preliminar, mas foi parado antes de subir ao plenário.
- Em 2025 o processo foi retomado. A Secretaria do Trabalho e Previdência Social apresentou um documento técnico sugerindo uma transição gradual de vários anos, não de uma vez.
- No que vai de 2026 o parecer já está pronto e espera-se votação no plenário dos Deputados durante o próximo período ordinário, com o Senado da União revisando-o em cascata e depois as legislaturas estaduais.
Vejo isso toda semana em escritórios contábeis: o empregador fica sabendo por uma nota de imprensa e acha que "já entrou". Não. Até que não saia no DOF, tecnicamente a jornada legal continua sendo de 48 horas, distribuída conforme a modalidade (diurna 8 hrs, noturna 7, mista 7.5), tal como marca hoje o artigo 61 da LFT.
Quando entra em vigor: o período de transição que quase ninguém lê
Aqui está o ponto que diferencia um consultor que sabe daquele que apenas repete a manchete. Mesmo quando aprovada e publicada, a reforma não se aplica no dia seguinte. O parecer vigente contempla um esquema de transição escalonado, similar ao modelo chileno (que passou de 45 para 40 horas em 5 anos).
As propostas mais maduras manejam dois cenários principais:
| Cenário Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 | ||||
| Gradual 4 anos | 46 hrs | 44 hrs | 42 hrs | 40 hrs |
| Gradual 2 anos | 44 hrs | 40 hrs | — | — |
Qual vai ficar? O sinal político da STPS aponta para o cenário de 4 anos, com o primeiro corte começando em 1 de janeiro do ano seguinte à publicação. Se a publicação cair no último trimestre de 2026, a primeira redução (para 46 horas) seria em 1 de janeiro de 2027 e a jornada plena de 40 horas apenas em janeiro de 2030.
Esta parte a maioria continua ignorando: o período de transição inclui obrigações de relatório à STPS, possíveis mesas tripartites por setor e revisão dos contratos coletivos. Não é apenas baixar números no ponto.
O que muda na sua folha de pagamento e no ponto desde agora
Embora a lei ainda não entre em vigor, há três frentes onde o empregador inteligente já começou a mover peças:
1. Registro de jornada real. O artigo 804 da LFT obriga o empregador a conservar a documentação que acredite as horas trabalhadas durante o último ano. Com a inspeção trabalhista mais ativa da STPS, as multas por não ter registros formais vão de 50 a 5.000 vezes a UMA (Unidade de Medida e Atualização), segundo o artigo 1002 da LFT. Em 2026 isso são aproximadamente entre 5.000 e 565.000 pesos por trabalhador com registro incompleto.
2. Horas extras e sétimo dia. Se você passar de 48 para 40 horas, tudo o que hoje entra como tempo ordinário vai se converter potencialmente em tempo extraordinário. E lembre-se: as primeiras 9 horas extras por semana são pagas em dobro e a partir da décima em triplo, conforme o artigo 67 e 68 da LFT. Uma má distribuição pode triplicar o custo de mão de obra.
3. Adicional dominical e descansos. O adicional dominical de 25% (artigo 71 LFT) e o descanso semanal obrigatório continuam iguais, mas ao comprimir horas em menos dias eles se tornam mais caros se caírem no domingo.
Caso real: restaurante de 30 trabalhadores em Monterrey
Um cliente me ligou em março. Ele tem um restaurante em San Pedro Garza García com 30 trabalhadores entre cozinha, garçons e bar. Hoje trabalham 6 dias por semana, 8 horas, jornada mista. Salário nominal médio: 320 pesos diários.
Quando rodei o cenário de 40 horas com transição de 4 anos, foi isso que saiu:
- Hoje paga: aproximadamente 288.000 pesos mensais de salário base, sem contar IMSS, INFONAVIT nem 13º salário.
- Baixando para 40 hrs sem reorganizar turnos, mantendo o mesmo nível de serviço (os clientes não param de chegar sábado às 22h), teria que cobrir essas 8 horas semanais com outra pessoa ou como tempo extra. Pago como extra dobro: aproximadamente 45.000 pesos mensais adicionais desde o ano em que o ajuste entrar em vigor.
- Se em vez disso contratar 2 pessoas a mais em tempo parcial: aproximadamente 22.000 pesos mensais adicionais + custo IMSS associado.
Conclusão? Saiu metade do preço redesenhar a grade de turnos do que pagar tudo como extra. Mas requer registro de jornada sério, não o caderninho do gerente. Aqui é onde o controle de ponto com registrador digital deixa de ser opcional e se torna sobrevivência.
O que fazer hoje, sem esperar a lei sair
O que digo a cada empregador que me pergunta:
- Audite sua jornada atual. Você sabe com precisão quantas horas cada um trabalha? A maioria tem um número diferente no contrato, na folha de pagamento e na realidade.
- Implemente um registrador digital com registro biométrico ou por geolocalização. A STPS pede registros confiáveis e a inspeção está pedindo evidências em qualquer visita.
- Modele os cenários de custos. Se sua margem depende de horas extras disfarçadas, você vai sentir a reforma como uma pedrada. Melhor saber agora.
- Revise os contratos coletivos se existirem. Alguns sindicatos já estão inserindo cláusulas antecipando-se.
Perguntas frequentes
Quando entra em vigor a jornada de 40 horas no México? Em maio de 2026 a reforma ainda não foi publicada no DOF. O parecer contempla entrada em vigor escalonada em 4 anos, começando em 1 de janeiro após a publicação. A data mais provável de início do primeiro corte é 1 de janeiro de 2027, se aprovada este ano.
A reforma de 40 horas afeta o salário? Não, o salário se mantém integral. A proposta é reduzir horas sem tocar na percepção mensal do trabalhador. O custo é absorvido pelo empregador, seja reorganizando turnos, contratando mais pessoal ou pagando tempo extra.
O que acontece se minha empresa já trabalha menos de 40 horas? Você não tem ajuste pendente, mas deve documentar formalmente a jornada no contrato e manter registros conforme o artigo 804 da LFT. A reforma fixa o máximo, não o mínimo.
A jornada de 40 horas aplica-se também a empregados de confiança? Sim. A LFT não distingue jornada máxima entre operacionais e de confiança. Os cargos de direção têm exceção do artigo 59, mas o restante do pessoal de confiança entra no mesmo limite. Cuidado com disfarçar nomeações.
Como afeta as maquiladoras e empresas com turnos contínuos? O parecer contempla mesas setoriais para indústrias com jornadas contínuas (maquila, manufatura, hospitais, hotelaria). Provavelmente haverá regras especiais para turnos rotativos, mas o limite semanal se aplica.
Quer ir um passo além? Recomendo nossa análise de impacto da reforma de 40 horas para empregadores e o guia de controle de ponto para PMEs no México para ver como montar o registro digital antes que a inspeção chegue. Se quiser modelar sua folha de pagamento com os cenários reais de transição, colocamos sua equipe na Emplyx em menos de um dia.